Magras, magras, magras
sabem aquela cena de A Nova Onda Do Imperador em que o Kuzco engana o Pacha? então, o Kuzco é a indústria da moda e o Pacha é a gente. e o filme se chama A Nova Onda Da Magreza 🤡
a onda da magreza tá de volta com tudo. na verdade, ela nunca foi embora, né? mas no fundo, no fundo, eu acreditava que os passos que estávamos dando em direção à diversidade corporal eram reais. mesmo que pequenos e lentos. mas, pra mim, eram verdadeiros. inocência minha, talvez? fazer o quê se eu tenho em mim isso de acreditar num mundo melhor? a gata aqui é libriana, gosta da justiça.
mas agora a gente olha pras passarelas, redes sociais e até nas nossas rodas de conversa e dá pra sentir que aquele padrão irreal tá ganhando espaço de novo. e é tão fácil pra esse padrão reocupar esse lugar enquanto, em comparação, é uma luta pra que corpos diversos consigam um lugarzinho ali também.
é desanimador perceber que a sociedade nunca teve um real interesse em abraçar todos os corpos, e o pouco espaço que tinham aberto pra nós era apertado demais! parece que toda a luta por diversidade e aceitação foi tratada como apenas uma moda - que já passou - ao invés de um movimento social. e aí, a industrialização da moda, que prometia incluir mais corpos, agora volta a reforçar velhos padrões.
teve o retorno do victoria’s secret, que é praticamente o símbolo máximo da magreza idealizada. tem até uma música que fala sobre essa marca e todo o impacto que ela causou em uma geração inteira (postei no meu instagram). e, pra piorar, rolou o boom das canetas de emagrecimento, como o Ozempic, usadas por muitos sem orientação médica, só pelo efeito de “ficar magra”.
as consequências
pra quem vive essa luta pela aceitação corporal, ver tudo desmoronar é um baque. marcas que antes fingiam abraçar a diversidade agora estão bem à vontade pra voltar a exaltar um corpo que é inalcançável pra maioria. e o pior: tem uma galera nas redes sociais aplaudindo isso e reforçando gordofobia sem nem pensar duas vezes. parece que bastava alguém abrir essa porteira de novo que a boiada gordofóbica já tava pronta pra passar.
e, olha, eu sinto isso na pele – literalmente. eu, que falo tanto sobre moda midsize e autoaceitação, também me pego pensando: será que tô perdendo espaço porque não sou magra? bate essa dúvida quando me comparo com outras criadoras de conteúdo. e aí percebo a armadilha que tô caindo: a de achar que meu corpo tem mais valor do que meu conhecimento, minha dedicação e minha personalidade. porque é isso que a sociedade quer que a gente pense. que não seremos suficientes até ter um corpo perfeito - que sequer existe realmente.
o impacto vai além
e tudo isso não é só sobre a moda e sua indústria. não é só sobre looks e roupas. é sobre falta de espaço. de representatividade. e isso afeta a autoestima de tantas e tantas mulheres. e quando falamos de autoestima baixa, falamos sobre milhares de mulheres que deixam de viver oportunidades incríveis por causa da vergonha do próprio corpo. mulheres que desacreditam em seus potenciais por causa do seu peso na balança. mulheres que aceitam migalhas nas relações amorosas por medo de não merecerem amor de verdade.
é cruel como a pressão estética prende a gente.
hoje, a moda pra mim é uma ferramenta de reafirmação do meu valor. por mais que doa perceber que eu preciso lutar o triplo pra conseguir um espacinho nesse meio, eu luto porque é o meu jeito de dizer que eu também tô aqui. e eu não vou mais me esconder. e muito menos voltar pro lugar que a sociedade coloca a gente desde nova: na rejeição, na exclusão e na inadequação.
e mesmo que o mundo grite que ser magra é melhor, eu escolho gritar de volta: meu corpo é válido e eu vou ocupar o espaço que eu quiser. e não vou desistir.
então, se você tá aí, se sentindo pressionada, te convido a não desistir comigo. seu corpo não é o problema, o sistema é. e a gente tá junta nessa.
espero que tenham gostado dessa reflexão e vou amar ler seus comentários :)
bjinhos,
Nanna






Eu não sei se fico feliz ou triste com tudo isso, pois é a primeira vez que vejo as pessoas dizendo que meu corpo é bonito, antes disso perguntavam se eu estava com anemia (nunca tive) ou coisas piores 👀 Queria poder viver em um mundo onde existência de um tipo de corpo não invalidasse o outro, mas acho que esse mundo perfeito nunca vai existir.
eu adoro te acompanhar porque você me ajuda a me manter fiel ao que sou, Nanna. é difícil na maioria das vezes, mas seguimos! 💌